Novas tarifas do Trump deixam a economia dos EUA na berlinda

O presidente Donald Trump anunciou que a próxima quarta-feira vai ser o “Dia da Libertação”, um momento que ele promete ser a virada para os Estados Unidos se libertarem de produtos estrangeiros com uma nova leva de tarifas.

Ainda não tem muitos detalhes sobre essas novas taxações que ele planeja. A maioria dos especialistas acredita que as famílias americanas vão sentir no bolso, ou seja, os preços vão subir e a grana que cada um leva pra casa vai diminuir. Mas Trump não se abala e tá convidando os CEOs para a Casa Branca, dizendo que eles vão investir bilhões em novos projetos pra driblar essas tarifas.

É possível também que essas tarifas sejam algo temporário, caso Trump encontre uma boa negociação logo após implementá-las.

“Estou totalmente aberto a isso, se conseguirmos fazer algo”, disse ele para a galera da imprensa. “Vamos conseguir algo em troca.”

No meio disso tudo, o que tá em jogo é o orçamento das famílias, a posição dos EUA como potência financeira mundial e como toda a economia global funciona.

Qual é o plano do Trump?

Trump quer lançar tarifas sobre as importações, incluindo tarifas “recíprocas” que igualariam os impostos que outros países cobram. Ele falou sobre taxar países como União Europeia, Coreia do Sul, Brasil e Índia.

Depois de anunciar tarifas de 25% para carros, ele disse que os EUA vêm sendo enganados, pois importam mais do que exportam.

“Isso é o começo do Dia da Libertação na América”, disparou Trump. “Vamos cobrar dos países que fazem negócios aqui e levam nossos empregos e riqueza, eles estão levando muita coisa há anos. E, honestamente, os amigos, às vezes, são piores que os inimigos.”

No sábado, em uma entrevista, ele disse que não se preocupa se as tarifas fizerem os preços dos carros subirem, porque os modelos com mais partes feitas nos EUA poderiam ficar mais em conta.

“Espero que eles aumentem os preços, porque se isso acontecer, as pessoas vão comprar carros americanos”, afirmou Trump. “Eu não me preocupo, porque se o preço dos carros estrangeiros subir, vão acabar optando pelos feitos aqui.”

Ele também comentou que pode ser flexível com as tarifas, decidindo tratar outros países melhor do que eles trataram os EUA. Mas, por enquanto, tem muitas outras tarifas a caminho.

O presidente planeja taxar remédios importados, cobre e madeira, além de cobrar 25% de tarifas sobre o petróleo que vem da Venezuela, mesmo que os EUA também importem. As importações da China estão com uma taxa a mais de 20% devido ao papel do país na produção de fentanil. E ele também impôs tarifas separadas sobre produtos do Canadá e México, alegando que é pra parar o contrabando de drogas e a imigração ilegal. Além disso, Trump aumentou as tarifas de aço e alumínio para 25% em todas as importações.

Alguns assessores acreditam que essas tarifas são uma estratégia de negociação para questões comerciais e segurança nas fronteiras; outros dizem que a grana arrecadada pode ajudar a diminuir o déficit do governo. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirma que esses impostos vão obrigar os outros países a mostrar “respeito” a Trump.

O que as tarifas podem fazer com a economia dos EUA?

Pra maioria dos economistas, nada bom. Eles afirmam que as tarifas vão acabar sendo repassadas para os consumidores, resultando em preços mais altos para carros, supermercado, moradia e mais. Os lucros das empresas podem cair e o crescimento da economia ficar mais devagar. Trump acredita que mais empresas vão abrir fábricas pra evitar essas taxas, mas isso pode levar três anos ou mais.

O economista Art Laffer acha que as tarifas sobre carros, se forem totalmente aplicadas, podem aumentar o custo por veículo em até US$ 4.711. O banco de investimentos Goldman Sachs também estima que a economia vai crescer neste trimestre a uma taxa anual de apenas 0,6%, bem abaixo dos 2,4% do final do ano passado.

O prefeito de Columbus, Ohio, Andrew Ginther, disse que as tarifas podem aumentar o valor médio de uma casa em US$ 21 mil, tornando as coisas mais caras, pois os materiais de construção ficariam mais caros.

O conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, comentou que as tarifas de automóveis podem arrecadar US$ 100 bilhões por ano, e as demais taxas podem trazer cerca de US$ 600 bilhões anualmente, totalizando em torno de US$ 6 trilhões em 10 anos. Segundo Jessica Riedl, uma especialista, isso representaria o maior aumento de impostos desde a Segunda Guerra Mundial.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sugeriu que as tarifas seriam uma “ajuste de preço único”, ao invés de começar uma espiral inflacionária. Mas essa análise se baseia na ideia de que as tarifas vão ser curtas ou contidas, sem provocar retaliações de outros países.

“Temos uma chance de que as tarifas nas mercadorias comecem a impactar os preços dos serviços”, disse Samuel Rines, um estrategista da WisdomTree. “As peças dos carros ficam mais caras, aí o conserto de automóveis fica mais caro, e a conta do seguro também sobe. Embora o foco sejam os produtos, as tarifas podem ter um efeito prolongado na inflação.”

Como os outros países estão encarando as novas tarifas?

A maior parte dos líderes internacionais vê as tarifas como prejudiciais para a economia global, embora alguns já estejam se preparando para colocar suas próprias retaliações.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que as ameaças de tarifas de Trump acabaram com a parceria entre os dois países, mesmo que o presidente tenha falado de maneira positiva sobre uma ligação que teve com Carney. O Canadá já anunciou tarifas de retaliação.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as tarifas não têm coerência e vão causar “quebra de cadeias de valor, criar inflação a curto prazo e destruir empregos. Não é bom para a economia americana, nem para a europeia, canadense ou mexicana.” Mesmo assim, ele disse que sua nação vai se defender, tentando desmontar as tarifas.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, não está respondendo com tarifas de forma direta, mas vê a defesa dos empregos no seu país como algo crucial.

O governo da China declarou que as tarifas de Trump vão prejudicar o sistema de comércio global e não vão resolver os problemas econômicos que ele apontou.

“Não há vencedores em guerras comerciais ou de tarifas, e nenhum desenvolvimento ou prosperidade de um país é alcançado impondo tarifas”, disse Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Por que Trump chamou de ‘Dia da Libertação’?

Pelas declarações públicas de Trump, 2 de abril é pelo menos o terceiro “dia da libertação” que ele associou. No ano passado, em um comício em Nevada, ele disse que o dia da eleição presidencial, 5 de novembro, seria “o Dia da Libertação na América.” Depois, ele deu o mesmo rótulo para sua posse, afirmando em seu discurso: “Para os cidadãos americanos, 20 de janeiro de 2025, é o Dia da Libertação.”

Esse uso repetido do termo mostra o quanto Trump valoriza as tarifas, uma obsessão dele desde os anos 80. Diversos outros países têm seus próprios dias de libertação para lembrar eventos como a superação da Alemanha nazista ou o fim de regimes políticos opressivos.

Trump acredita que suas tarifas trarão uma redenção nacional, mas a queda na confiança do consumidor e na bolsa de valores indica que muita gente acha que a economia dos EUA vai acabar pagando um preço alto por suas ambições.

“Não vejo nada positivo nesse Dia da Libertação”, disse Phillip Braun, professor de finanças na Universidade Northwestern. “Vai machucar a economia dos EUA. Outros países vão retaliar.”

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